O seu navegador necessita de suporte Javascript para esta funcionalidade. Museu Nacional de Arte Antiga - Outras obras essenciais do MNAA
10 de Fevereiro de 2012
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Outras obras essenciais do MNAA

É possível reconhecer todas as colecções do museu através de peças essenciais expostas em permanência, e aqui apresentadas por ordem alfabética.
  • Anunciação
    Frei Carlos (actividade c.1517–c.1535)
    Datado 1523
    Óleo sobre madeira de carvalho
    A 197,5 x L 198 cm
    Mosteiro de Nossa Senhora do Espinheiro, Évora
    MNAA inv. 677 Pint

    Retirada de exposição temporariamente
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    A delicadeza que emana desta Anunciação assenta numa rigorosa edificação do espaço. O desenho arquitectónico, nomeadamente as colunas, sublinham a verticalidade, tanto do interior fundamental da representação onde a perspectiva se constrói nos planos que se vão sucedendo no aposento, como do exterior de anjos músicos. No centro do quadro, a mão esquerda do anjo remata a diagonal desenhada pelos seus braços e prolonga-se pela subtil inclinação da cabeça de Maria e pelo braço cuja mão pousa sobre o livro. O jogo das duas mãos erguidas e dos dois olhares baixos, a veste azul pregueada em estrela sobre o tapete e que remete para outras horizontais definidas pelo mobiliário, o manto levemente esvoaçante do anjo e a pomba do Espírito Santo que, planando, assinala a figura essencial da cena, emprestam um suave frémito a este anúncio que o anjo do Senhor fez a Maria.
    A paleta suave adequa-se à misteriosa atmosfera da pintura, inundada da luz ténue que se vê através do óculo e no horizonte, e revela o colorido de Frei Carlos, um pintor luso-flamengo cuja actividade se desenvolveu entre 1517 e 1535, na Oficina de pintura do Espinheiro, um convento de frades jerónimos, em Évora.
  • Aquamanil
    1ª metade do século XVII
    Faiança
    A 22,2 x L 20,6 cm
    Compra, 1921
    MNAA inv. 2411 Cer

    Piso 2, sala 25
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    A dinâmica forma, um peixe que se enrola em equilíbrio sobre uma base, isola esta peça no contexto da faiança portuguesa da 1ª metade do século XVII. Como o nome sugere, aquamanil era um recipiente destinado a levar ‘água às mãos’ e a sua utilização estava reservada à mesa em ocasiões de cerimónia. A originalidade formal, o brilhante colorido a amarelo e azul, o desenho que destaca as escamas e aumenta caricaturalmente o olho vivo e os dentes aguçados deste peixe definem uma escrita apropriada à decoração da peça. Na cabeça e no buxo, as folhas de acanto recordam um dos motivos característicos da gramática decorativa portuguesa.
  • Arcanjo São Miguel
    Portugal, Oficina de Coimbra
    3º quartel do século XV
    Pedra (calcário)
    A 122 x L 44 x P 30 cm
    Doação (colecção Vilhena), 1980
    MNAA inv. 1194 Esc

    Piso 3
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    São Miguel, o mais popular de todos os arcanjos, é um guerreiro, um cavaleiro, o condestável das milícias celestes que dirige o combate contra os anjos rebeldes que precipita no abismo. No Apocalipse, salva a Mulher que acaba de dar à luz, símbolo da Virgem e da Igreja, combatendo contra o dragão das sete cabeças. É o santo condutor dos mortos cujas almas pesará no dia do Julgamento. A Igreja católica romana considera-o como seu defensor.
    Enquadrado pelas próprias asas que acentuam a verticalidade da figural juvenil, é aqui representado combatendo o dragão–diabo, tal como é descrito no Apocalipse - “ ... Miguel e os seus anjos combateram o dragão... O grande dragão chamado Diabo ou Satanás foi expulso da terra, ... “, e como o pesador das almas. Por isso, olhando o prato direito da balança que segura na mão esquerda, espera recolher as almas dos justos.
  • Bacia e Gomil
    Itália, século XVI
    Cerâmica (imitação de porcelana)
    Bacia - A 10,3 e Æ 42,7 cm; Gomil - A 29,5 cm
    Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa, 1936
    MNAA inv. 5896 e 5897 Cer

    Piso 1, sala 49
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    Terão sido os mercadores da Rota da Seda que proporcionaram a chegada à Europa das primeiras peças em porcelana, uma matéria cerâmica originária da China que tornou preciosos os objectos frágeis, brancos e brilhantes que os príncipes coleccionavam. As primeiras tentativas para imitar esta porcelana do Extremo Oriente surgiram no século XVI, em Itália, reconhecendo-se Francisco I de Médicis como um dos pioneiros destas experiências. Por isso estas duas peças – bacia e gomil –, são designadas por ‘porcelana dos Médicis’, pois apresentam a sigla que foi usada por aquele grão-duque da Toscânia: um ‘F’ sob a cúpula da catedral de Florença.
    A bacia, moldada em pasta ligeiramente azulada, tem a aba lisa e o covo, canelado em gomos, ostenta no fundo a figuração da Aparição da Virgem a São João Evangelista, inspirada numa gravura de Heinrich Aldegrever (1502-1560), segundo desenho de Giorgio Pencz. O gomil, de pasta mais branca, acrescenta à sóbria elegância da forma os peculiares grifos em que são modelados a asa e o bico. De grande qualidade, esta peça encontra-se referenciada no inventário do guarda-roupa do grão-duque Ferdinando I, 1589.
    A delicadeza da pasta, do vidrado e do azul da pintura, conferem um estatuto singular a estas duas peças raras, oriundas das colecções reais, provavelmente datáveis dos anos 80 do século XVI e onde visualmente se sente que foram produzidas em distintas fornadas.
  • Báculo
    Portugal, 1º quartel do século XVII
    Prata dourada, quartzos e vidros coloridos
    A 235 cm
    Compra, 1916
    MNAA inv. 535 Our

    Piso 2, sala 28
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    Bastão simbólico, atributo da dignidade de bispo ou abade, o báculo evolui do simples e perecível cajado de madeira para magníficos exemplares de ourivesaria. A forma – vara terminando numa voluta – contém no seu simbolismo o sentido da missão pastoral do prelado. Objecto distintivo, produzido em materiais nobres e profusamente decorado, surge como símbolo da importância do seu possuidor e como testemunho da riqueza e poder da diocese ou convento.
    Doado pela Abadessa D. Ana de Ataíde ao Mosteiro de S. Bento da Avé Maria no Porto, este báculo apresenta uma complexa estrutura decorativa que parece abrigar um programa iconográfico doutrinal resumido no Nascimento anunciado, na Morte redentora, na fundação da própria Igreja e propagação da sua Palavra. Assim, a crossa abriga na sua volta uma Anunciação em vulto, coroada pela pomba do Espírito Santo; o nó, seistavado, desenvolve-se em dois andares constituídos por nichos que albergam figuras. No primeiro nível, seis anjos empunham os emblemas da Paixão enquanto no segundo nível, S. Pedro, S. Paulo e os quatro evangelistas expressam a pedra basilar e a propagação da mensagem da igreja de Cristo.
  • Baptismo de Cristo
    Bruxelas
    1º terço do século XVI
    Lã e seda
    A 260 x L 170 cm
    Convento da Madre de Deus, Lisboa, 1912
    MNAA inv. 28 Tap

    Piso 1, sala 64
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    Sendo o Baptismo de Cristo um dos elementos fundamentais da doutrina, ele constitui-se iconograficamente num tema recorrente da arte cristã, pelo menos desde a época bizantina.
    Citando Réau, "no baptismo de Cristo a cena compõe-se de dois elementos bem distintos: a purificação na água do rio e a teofania: a descida do Espírito Santo. (...). Como notou Strzygowski, a infusão tem lugar geralmente com uma taça ou concha, na arte italiana, com um jarro, na arte alemã enquanto na escola dos Países-Baixos (Roger de la Pasture, Memling, Gérard David), é por entre os dedos que João Baptista deixa correr da concha da mão algumas gotas de água sobre a cabeça de Cristo."
    Certamente inspirada nas pinturas flamengas do século XV, a tapeçaria apresenta um esquema de composição habitual nesta época: Cristo de pé nas águas do rio Jordão entre S. João Baptista e o Anjo encimado pelo Pai Eterno e o Espírito Santo, sob a forma de pomba. O Baptismo cumpre-se segundo a descrição de Strzygowski.
    A cercadura, estreita e com elementos vegetalistas que se repetem, constitui o remate típico das oficinas de Bruxelas nesta época.
  • Cadeira de braços (Estadela)
    Portugal, 2ª metade do séculoXV
    Carvalho
    A 180 x L 68 x P 52,5 cm
    Convento do Varatojo, 1913
    MNAA inv. 51 Mov

    Piso 1, sala 36
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    Cadeira de estado, ou estadela, que terá sido usada por D. Afonso V (1438-81) quando se recolhia no Convento do Varatojo que fundou em 1470.
    É uma peça de grande raridade, não só por ser sobrevivente de uma época em que os móveis eram escassos, como pela carga simbólica que a sua proveniência comporta.
    A rigidez ortogonal da construção é compensada pela delicadeza da decoração entalhada, que estruturada no arco ogival remete para a arquitectura gótica.
    Este tipo de móvel de assento é, ainda, frequentemente revestido de ricos têxteis, por vezes formando dossel, reforçando pela cor e brilho do ouro o seu aparato e distinção.
  • Encerrada para obras de conservação e restauro
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    A edificação da capela do convento de Santo Alberto remonta a finais do século XVI, quando quatro monjas espanholas chegaram a Lisboa, em 1584, para fundar um cenóbio que observasse o rigor das disposições que Teresa de Ávila imprimiu à primitiva regra carmelita. Foi sua fundadora a Madre Maria de San José, prioresa do convento de San José de Sevilha, cuja biografia nos dá Frei Belchior de Santa Ana na Chronica de Carmelitas Descalços, 1657.
    Para além do culto a Santo Alberto, o facto do cardeal Alberto ter patrocinado o levantamento da igreja e de a dotar de muitas alfaias religiosas, estará na origem da denominação que veio a adoptar.
    Absorvida pelo corpo mais recente do museu e integrada no circuito da visita, a capela das Albertas conjuga talha e azulejo, revelando-se como um exemplar assinalável desta combinatória que o barroco português explorou de modo singular.
    A talha afirma-se através de gramáticas decorativas que se aliam pelo desenvolvimento contido dos seus elementos. No essencial, exprime-se pelos enrolamentos de acantos ‘gordos’ que se expandem pela nave e capelas laterais, e pela capela-mor onde as colunas torsas dos altares exprimem bem a época de D. João V, de particular efeito no altar-mor onde se verifica já a assimilação de motivos Rocócó.
    O azulejo progride em composições ornamentais ou figurativas e em padrões geométricos ou decorativos do século XVIII. Descobrem-se, todavia, fabricos mais recuados. Na primeira capela do lado esquerdo, do Santo Cristo da Fala, que lhe dá o nome, mandada erguer, em 1597, pelo padre Diogo Fernandes, capelão-cantor da casa real e muito devoto do convento de Santo Alberto, encontramos o frontal de altar de final do século XVI, característico de Talavera, ou os painéis de Gabriel del Barco, datáveis de c. 1670, que desenvolvem uma narrativa em torno do ciclo espiritual carmelita. É ainda nesta capela que se localiza outra excepção ao programa global setecentista, como o comprova o retábulo maneirista, talha e pintura de finais do século XVI.
    Na imaginária e na pintura integrantes da estrutura retabular reconhecemos Santa Teresa de Ávila e Santo Alberto em duas esculturas do altar-mor, e Santa Teresa, de novo, numa das pinturas que ladeiam a janela do coro-alto de onde, recolhidas atrás das grades, as irmãs seguiam as horas e os ofícios religiosos.
    Uma atmosfera que funde o ouro da talha e o brilho dos azulejos paira por entre o delicado equilíbrio deste espaço que ainda hoje mantém a carga religiosa, origem da sua existência e que se afirma, enquanto unidade espacial integrada, como a mais antiga e autêntica memória do edifício do museu.
    No exterior do edifício, alinhado na rua das Janelas Verdes, pode ver-se o belo portal proto-barroco com a inscrição “este convento de Santo Alberto é das freiras descalças de Nossa Senhora do Carmo”.

  • Colcha (fragmento)
    Índia, final do século XVI
    Algodão e seda. Bordado a ponto atrás
    A 162 x L 213 cm
    Doação, 1946
    MNAA inv. 3413 Tec

    Piso 2, sala 17
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    Grande fragmento inteiramente bordado a seda azul escuro e vermelho em ponto atrás muito miúdo.
    A estrutura da composição dá uma enorme importância à barra principal preenchida por um padrão geométrico com uma vigorosa expressão abstracta, marcadamente islâmica, que aliada a um enorme virtuosismo técnico fazem desta peça um exemplar raro no mundo dos bordados indo-portugueses.
    O campo é totalmente preenchido por um medalhão circular, em que um octógono central com decoração vegetalista é rodeado por uma coroa circular onde elementos geométricos e florais alternam com figuração humana e animal.
    Na cabeceira do campo e nas duas barras que ladeiam a barra principal desenvolve-se figuração bem variada e certamente representativa das culturas subjacentes a este bordado. As duas barras apresentam cenas de caçadas que na mais larga são interrompidas por cenas de interior marcado unicamente pela presença de mobiliário.
    Os cantos, quadrados onde se inscreve um círculo, são preenchidos na sua totalidade por um pavão que devora uma serpente (o pavão de Skanda?). A figuração - homens, animais e plantas - é tratada de forma intencionalmente linear resultando num grafismo tendencionalmente abstraccionista. Na cabeceira, separada do campo por uma barra estreita, aparece centrada uma grande árvore (Árvore da Vida?) ladeada por dois enormes elefantes montados por homens empunhando estandartes.
    A imagem apresentada é um pormenor do fragmento.
  • Combate de Hércules contra os Centauros
    Bruxelas
    Séc. XVI (meados)
    Lã e seda
    Compra, Leilão Burnay, 1936
    Inv. 73 Tap 

    Piso 1, sala 55
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    Hércules, filho de Júpiter e Alcmena, é, talvez, o mais popular dos heróis da mitologia greco-latina. Os seus trabalhos, explorações e aventuras aliados às suas fraquezas humanas vão dar origem a inúmeros relatos, da tragédia à comédia, que servirão de base a uma imensa iconografia.
    Dominando com grande mestria a linguagem renascentista de influência italo-flamenga, esta tapeçaria é um dos exemplares mais significativos da colecção do Museu.
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