A colecção de ourivesaria é constituída por cerca de 2100 peças abrangendo um período do século XII ao século XIX, distribuídas fundamentalmente por dois núcleos: ourivesaria portuguesa e ourivesaria francesa. A colecção integra ainda um significativo conjunto de peças indo-portuguesas bem como um pequeno mas importante grupo, praticamente inédito, de cruzes medievais em metais não preciosos.

Ourivesaria portuguesa
A ourivesaria portuguesa compreende o mais notável conjunto de prataria sacra do país. Abrange o longo período que vai do século XII ao século XIX e inclui um importante núcleo de prataria civil onde podemos encontrar grande parte das marcas portuguesas, num total que se aproxima dos 2000 exemplares. São peças que, quase ininterruptamente, documentam o trabalho dos nossos ourives desde a fundação da nacionalidade até ao século XIX.
Do Românico ao Neoclássico destacam-se algumas peças-chave, quer pelo seu valor específico quer pelo seu significado no percurso da arte do trabalho do ouro e da prata tais como a cruz processional românica do rei D. Sancho I, a cruz processional gótica que pertenceu ao mosteiro de Alcobaça, a custódia manuelina de Belém, atribuída a Gil Vicente, o relicário da rainha D. Leonor, o báculo seiscentista do convento da Avé-Maria, no Porto, a custódia do Paço da Bemposta.

Ourivesaria europeia
A ourivesaria europeia é dominada de forma esmagadora por um conjunto de ourivesaria civil francesa do século XVIII, onde encontramos a baixela da antiga Casa Real Portuguesa,  encomendada por D. José I a François-Thomas Germain e vulgarmente conhecida por ‘Baixela Germain’. Compõe-se a baixela de quatro ‘cobertas’ ou serviços para uma mesa ‘à francesa’, segundo a moda da época, executados entre 1756 e 1765. Trata-se de um conjunto raro pela quantidade e variedade de peças e por ter sido um dos poucos que resistiram às fundições sistemáticas a que foi sujeita a prataria real e aristocrática como solução face à precariedade dos cofres do Estado. A imaginação e criatividade que caracterizam peças como as terrinas de decoração exuberante são servidas por uma mestria técnica visível no requinte do acabamento dos mais ínfimos pormenores. Integram o conjunto peças de encomenda de famílias nobres tais como o aparatoso centro de mesa, encomenda do Duque de Aveiro. Neste conjunto é ainda de referir um aparelho para almoço, em ouro maciço, que D. José encomendou em 1764 para seu uso exclusivo mas que só chegaria a Portugal no reinado de D. Maria I.

Joalharia
A colecção de joalharia compõe-se de cerca de 2000 peças na sua maioria criadas para a alta nobreza e burguesia enriquecida e provém de antigos conventos extintos em 1834. Trata-se de um conjunto pouco vulgar, reunido a partir de dons e dotes de professas nobres que se despojaram destes tão emblemáticos bens mundanos ao entrarem para os conventos. Assim, este somatório de peças transforma-se num todo documental onde se pode ler o percurso da joalharia portuguesa ao longo dos séculos XV a XIX.