A colecção de mobiliário é constituída por cerca de 1700 peças distribuídas por três núcleos principais: mobiliário português, mobiliário europeu e mobiliário luso-oriental.

Mobiliário português
É legítimo dizer que o núcleo do mobiliário português é balizado por dois significativos móveis de assento que podem poder ser interpretados como tronos: a estadela dita de D. Afonso V que se conservou no convento do Varatojo fundado por esse monarca em 1470, e a imponente cadeira de braços encimada pelas armas reais usadas por D. João VI entre 1816 e 1826.
Globalmente, o conjunto vale, sobretudo, enquanto narração de um percurso e definição de características que individualizam um fabrico, distanciando-o dos congéneres europeus que lhe serviram de referência.
Referimo-nos, particularmente, a uma certa ingenuidade interpretativa, a uma geral solidez de formas ou a um característico empolamento decorativo. É no período Filipino que se define um importante núcleo ibérico e mesmo marcadamente português caracterizado por um maneirismo austero que engloba tamboretes, cadeiras de variada tipologia, arcas e móveis de estrado, normalmente executadas com madeiras exóticas em que sobressai o pau-santo.
Com a Restauração da nacionalidade o mobiliário português vai perdendo austeridade e, paradoxalmente, unidade, passando a ser mais visíveis as influências de outras áreas geográficas, europeias e orientais.

Mobiliário europeu
O mobiliário europeu constitui um conjunto variado, mas pouco numeroso, de móveis do século XVI ao século XIX, cobrindo geograficamente um extenso território que vai da França a Itália, passando pela Europa do Norte e até pela nossa vizinha Espanha. É de destacar o núcleo de mobiliário francês do século XVIII, não só pelo número de peças como pela sua qualidade, algumas delas assinadas por artistas como C. C. Saunier ou P. Bernard.
O conjunto é completado pelo salão vienense dos Príncipes de Paar, cuja “boiserie” desenhada pelo arquitecto francês Isidor Canevale foi executada em 1769 pelo entalhador austríaco G. Leithner.

Mobiliário luso-oriental
O mobiliário luso-oriental integra um conjunto de peças muito diversas em dimensão, tipologia, materiais e técnicas, resultante da presença dos portugueses na costa oriental de África, Índia, Ceilão, China e Japão e estrutura-se em dois grupos dominantes: o indo-português e o Namban.
O primeiro é um núcleo de referência bastante homogéneo, em que aos protótipos ocidentais, executados em madeiras exóticas, foi acrescentada uma decoração rica em densidade e variedade de elementos, expressa em linguagens locais.
O segundo, a colecção Namban, tem o seu ponto alto marcado por dois pares de biombos da famosa escola de Kano. A chegada e as actividades dos portugueses no Japão constitui-se como referente pictural, numa narração sequencial que se desenvolve ao longo das quatro peças. Um conjunto de objectos em laca constitui outro, não menos indispensável, testemunho desta colecção.


Sala Patiño
Doado por Antenor Patiño, este impressivo salão Luís XV estrutura-se a partir de elementos característicos e recorrentes: o apainelado branco e ouro, a chaminé de mármore, as pinturas nas sobreportas. Mobilam este espaço um conjunto de móveis de assento, uma guarnição de chaminé composta por um relógio e dois candelabros, um grande tapete francês e um lustre de cristal.
Os apainelados, originariamente destinados ao Palácio vienense dos Príncipes de Paar, foram desenhados pelo Arquitecto francês Isidor Canevale e executados pelo entalhador austríaco G. Leithner, em 1769.
Conjunto coerente, constitui-se como um objecto múltiplo que pode contribuir para um melhor entendimento da complementaridade das artes decorativas do século XVIII.

Sala Patino

Viena de Áustria, 1769
Doação Antenor Patiño, 1969