Considerada globalmente, a colecção de pintura abrange cerca de 2200 obras que vão do século XIV aos anos vinte do século XIX. Integra a pintura portuguesa, a pintura europeia e os núcleos de iluminura e de miniatura.

Pintura portuguesa
A colecção de pintura portuguesa expressa-nos, como nenhuma outra, o que foi pintar em Portugal durante cerca de quatro séculos. Inicia-se no século XV, constituída por um pequeno conjunto de obras, fundamental no reduzidíssimo “corpus” nacional de pintura deste período, estruturado em torno do famoso políptico de São Vicente de Fora. Do início do século XVI a colecção permite a comparação entre as três principais oficinas luso-flamengas, resultado do confronto e trabalho conjunto dos Mestres flamengos radicados no nosso país com os pintores portugueses seus contemporâneos. A segunda geração deste século, de que Gregório Lopes é provavelmente a figura maior na colecção, vai produzir uma pintura que transita, sem drama aparente, de estruturas medievais para esquemas já maneiristas, que se constitui como o cerne da pintura portuguesa e lhe empresta imagem e presença numa sucessão de grandes retábulos e pinturas isoladas.
É possível seguir um percurso que vai dos imediatos sucessores de Gregório Lopes aos grandes painéis de altar do século XVII, onde a influência italiana vai substituir a marca flamenga. Do século XVII são de realçar um grupo de retratos em que a marca tenebrista espanhola é dominante e um diversificado conjunto de quadros de Josefa de Óbidos.
Os nomes que dominaram o século XVIII, Francisco Vieira Lusitano e Pedro Alexandrino, são os que dominam a colecção, o primeiro com grandes peças de aparato e o segundo com estudos para composições de maior vulto. A viragem do século e a passagem da época moderna para a época contemporânea é marcada por Vieira Portuense e Domingos António Sequeira, dois nomes que configuram um final particularmente feliz para a colecção de pintura portuguesa.

Pintura europeia
A uma multiplicidade de proveniências – à marca conventual acresce um número significativo de peças com origem em colecções particulares e reais – junta-se uma grande variedade de autores, oficinas e escolas de que resulta uma colecção muito ampla no espaço e no tempo. As cinco tábuas do século XIV constituem uma excelente introdução a este núcleo tanto pela comparação de duas escolas com muito em comum – a de Siena e a da Catalunha –, como pela afirmação plena de uma expressão medieval. É ainda a Espanha levantina, agora acompanhada pelo sul da Europa que domina o século XV em que a Itália e a Flandres são representadas por peças isoladas mas excepcionais de que o São Lucas, atribuído a Van der Goes e o Santo Agostinho de Piero della Francesca são exemplo. A fortíssima presença flamenga vai caracterizar o século XVI com o seu exemplo maior no tríptico As Tentações de Santo Antão, de Hieronymus Bosch. Entre o retábulo e a pintura de cavalete, entre a peça excepcional e a série, o núcleo flamengo deste século é o mais coerente, rico e significativo de toda a colecção europeia. Há que referir outro núcleo de grande qualidade, da Escola alemã, em que o São Jerónimo de Dürer, a Fonte da Virgem de Hans Holbein, o Velho, e a Salomé de Lucas Cranach, o Velho, ajudam a definir, como um documento muito valioso, o entendimento da passagem da Idade Média aos tempos modernos. Flamengos e holandeses representam o Norte da Europa na enorme variedade de géneros e especializações que a pintura atingiu no século XVII, aqui bem patente na quantidade, repetição e diversidade. O Sul está sobretudo representado pelo tom tenebrista da pintura espanhola, bem visível nas doze pinturas que constituem o Apostolado de Zurbarán, e pela vibrante paleta do italiano Giambattista Tiepolo. O aparecimento de pintores ingleses e franceses – Rigault, Largilière, Lawrence, Reynolds, Russel –, num núcleo de retratos a par com a presença de obras assinalando as mutações do gosto e da sensibilidade que marcam o fim do século, são novidades positivas no conjunto do século XVIII.

Iluminura
A colecção integra ainda um pequeno mas importante núcleo de iluminura, de que se destaca o Livro de Horas, dito de D. Manuel.

Livro de Horas de D. Manuel