Iluminura
Neste fólio assiste-se ao cerimonial fúnebre da quebra dos escudos que envolvia a nobreza e a alta burguesia, procurando transmitir ao povo, por uma via quase teatral, os sentimentos de pesar e luto pela morte do rei. Nesta cerimónia um juiz ia quebrando, com grande aparato, os escudos de diversas casas nobres através de um percurso ao longo da zona central de Lisboa.
Esta rigorosa representação leva-nos até à Lisboa do ano de 1521 (ano da morte de D. Manuel) e mostra-nos uma zona típica da cidade mercantil da época dos Descobrimentos, a Rua Nova dos Mercadores. Local privilegiado para as transacções comerciais onde se instalavam os homens de negócios dos mais diversos países dando origem a um comércio florescente. Era também nesta artéria lisboeta que se situavam as oficinas de gravadores, ourives, joalheiros e douradores, bem como as casas de escambo, versão quinhentista dos actuais cambistas.
O livro de Horas de D. Manuel, pelo facto de ilustar o seu Ofício dos mortos com cenas relacionadas com o enterro e serviços fúnebres deste rei, demonstra que foi, em parte, executado durante o reinado de D. João III (rei entre 1521 e 1557), seu filho e sucessor.
Actualizado em:
21 de Novembro de 2008